Economia com Filosofia

Como arroz e feijão!

Nome: Claudio
Local: São Paulo, SP, Brazil

Domingo, Janeiro 29

Gripe Aviária vs Peste Negra

Acho interessante o paralelo que se faz entre a peste negra e uma possível, mas ainda improvável, epidemia mundial da gripe aviária. Não tenho uma visão pessimista da realidade atual, muito menos uma visão apocalíptica, mas, de qualquer maneira, acredito ser pelo menos “saudável” aproveitarmos os pretextos para revisitarmos esse assunto histórico, que tanto tem a nos ensinar.
Ao estudar textos sobre o assunto em epígrafe, pude constatar que a sociedade da Europa do século XIV presenciou, e vivenciou, o lado mais podre da humanidade. Uma sociedade de indivíduos egoístas, promíscuos, porcos, oprimidos ou opressores, foi assolada por uma doença incurável, nojenta, que matava em até 5 cinco dias. A tão valorizada, sonhada e preservada posição social de nada adiantava quando via-se nobres literalmente apodrecendo da mesma maneira que plebeus.
Era o cenário favorável para misticismos idiotas, tratamentos médicos infundados, falta de solidariedade e covardia.
Dizia-se que a peste era uma castigo de Deus para que a humanidade pagasse seus pecados. É claro que cientificamente, hoje, podemos dar explicações mais plausíveis, mas, filosoficamente falando, a Natureza sempre reage.
Médicos simplesmente negavam a sua missão de curar os doentes e fugiam. Elites se refugiavam e lugares seguros e impediam que classes menos abastadas se aproximassem. Chega uma hora em que a solidariedade humana não resiste a certas provações. Esse limite se dá em função da evolução espiritual do ser humano. E, em se tratando de Idade Média, é fácil concluir que tal limite foi atingido muito antes da pior fase da crise.
Quando “estudiosos” eram consultados sobre as causas da peste, muitas vezes associava-se o fenômeno ao alinhamento dos planetas, dada a grande importância que se dava à astronomia na época.
Bem, hoje nossa sociedade caminhou demais e acredito que está muito mais evoluída que a daquela época, em todos os sentidos. Se tivermos que enfrentar um problema dessa magnitude, estamos “mais” preparados, mas não diria completamente preparados. O cenário ainda é favorável para misticismos idiotas, falta de solidariedade e covardia. O maior avanço foi na medicina e na evolução tecnológica, porém não avançamos quase nada na espiritualidade. E esse pode ser o gargalo que nos impedirá de usufruir de todos nossos avanços numa situação como essa. O ser humano, de uma maneira geral, ainda é auto-centrado, não entende o propósito de sua vida, sua missão, a importância da solidariedade e a essência da felicidade.

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