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Sábado, Janeiro 28

Gripe Aviária - Desígnio da Natureza talvez iminente

Em matéria de "O Estado de São Paulo" de 27/01/06, "Neste início de 2006, a gripe aviária é considerada o maior risco global pelas principais lideranças políticas e empresariais do mundo, segundo relatório divulgado ontem no Fórum Econômico Mundial."
Imagine a mudança econômica e social no mundo no caso de uma epidemia mundial de dimensões proporcionais às da peste negra de 1348 na Europa. O pior que, em se tratando de um assunto dessas proporções e de efeitos tão caóticos, os meios de comunicação oficiais dificilmente reportarão a mais completa verdade à população. Qualquer informação sobre os rumos da doença, prevenção e cura serão consideradas privilegiadas e sua divulgação será controlada tanto nos meios de comunicação oficiais como na internet. Interesses econômicos serão priorizados à preservação da vida humana.
Gostaria que essa epidemia, se realmente iminente, não acontecesse sob vigência predominante do capitalismo nos moldes de hoje. Acredito que uma população mundial, ou mesmo suas lideranças, espiritual e intelectualmente mais evoluída poderia lidar com um problema dessas proporções com muito mais competência.
Vamos ver se realmente algo ruim nos espera. De qualquer modo, espero que a humanidade consiga enxergar quão pequenas são suas preocupações frente aos desígnios da Natureza.

Segue matéria publicada em O Estado de São Paulo em 27/01/2006

Gripe aviária é temor mundial
Doença é o maior risco atual, segundo relatório divulgado no Fórum Econômico Mundial
Fernando Dantas
Neste início de 2006, a gripe aviária é considerada o maior risco global pelas principais lideranças políticas e empresariais do mundo, segundo relatório divulgado ontem no Fórum Econômico Mundial. Na pior das hipóteses, prevê o estudo, uma epidemia causada pelo vírus H5N1 poderia ter um impacto social tão grande quanto o provocado pela peste negra na Europa, em 1348.
A pesquisa é um trabalho conjunto da Merrill Lynch, banco de investimentos dos EUA, Swiss Re, uma das maiores seguradoras do mundo, e Marsh & McLennan Companies, corretora de seguros e consultoria empresarial, em associação com o Centro de Gestão de Risco e Processos de Decisão da Wharton School, dos EUA. Outros grandes riscos apontados são uma alta do barril de petróleo para US$ 100 e novos ataques terroristas.
O relatório traça um cenário de epidemia para o caso de transmissão da doença entre humanos (hoje, só ocorre de aves para pessoas). Mesmo com a produção maciça da vacina em nove países com 12% da população global (os que têm como produzi-la na atualidade), menos de 500 milhões de pessoas, ou apenas 14% de toda a população, poderiam ser vacinadas em um ano. O relatório prevê que morram 50% dos infectados.
Não há uma estimativa total de quantas vítimas seriam, mas de desdobramentos econômicos, sociais e políticos. Na pior das hipóteses, o tráfego internacional de viajantes acabaria severamente abalado, assim como os fluxos comerciais. Cadeias de suprimento de emergência seriam montadas e seriam identificados as commodities e serviços essenciais para a sobrevivência por um a três anos.
Haveria turbulência financeira e grandes mudanças nas regras de propriedade intelectual de produtos farmacêuticos. Revoltas populares por acesso a antivirais provavelmente ocorreriam. A confiança nos governos desapareceria, alguns grupos humanos específicos seriam dizimados e haveria uma desurbanização parcial. A Indonésia confirmou ontem a 15º morte pela gripe; a China, a 7ª .

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